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A lua assomou sobre o Edifício Flamboyant como se fosse um chapéu sobre a mole um adorno feminil compondo-se com os cabelos negros de uma mulher bela - na cabeça da beleza da noite em noturno pianíssimo ( A noite é a segunda beleza depois da mulher ambas carregando no ventre a pura poesia do eterno feminino de Goethe ) A lua cheia banhada no amarelo ouro - o plenilúnio pairando sobre a terra despojada do filão das minas gerais - filão de ouro e ferro e trem-de-ferro e ferrete e sais minerais e outros minérios e minerais de ferro e ferrugem ferruginosos óxido de ferro - tudo assente na terra e no dente do gentílico / pois a terra tinha tantas minas com filão que cabia na boca e dentes das gentes animava o sorriso áureo do garimpeiro - do mineiro matuto do tabaréu e da tabaroa bem como no nome de Minas Gerais / - atual estado de alguns eleitos para tal empresa porquanto estado no Brasil ainda significa feudo na prática práxis axial do vocábulo ou não o que diz o vocábulo mas o que manda dizer o dono da voz e vez porque aqui ainda funciona o moinho medievo É genético não tem muda está no vegetal do homem entranhado no sistema nervoso vegetativo - tudo transitando transido de medo entre a casa Grande e a Senzala que este é o Brasil social perene lido e escrito em genes ( está no genoma ) Portanto, mineiro, pegue a bateia e vem atrás das minas gerais ser mineiro - vem ser mineiro! conquanto cônscio de que os governos sempre roubam o quinto do ouro a história antiga sendo reescrita perenemente por sobre o pergaminho ou papiro ou papel da história das minas nos quintos dos infernos quando mandava El Rey de Portugal e Algarve Hoje continuam a levar do povo até o "quinto dos infernos!" se pudesse existir alguma fração matemática para designar o imaginário inferno de Dante um poeta que entrou no inferno em busca da bem-amada assim como já o fizera Orfeu inveterado lírico cantor cheio de candor no amor - galo cantor na zoologia enquanto instância da ciência e da zoomorfia ou antropozoomorfia enquanto deus na pele de Anúbis que ilustra bem o antropozoomorfismo que poesia um deus no mundo - pois poetizar um deus no mundo é o mesmo que postar - postá-lo nas aras e no saltares e no livro dos mortos - que sempre é o livro dos poetas! A onomástica da terra veio pelo veio das mimas então gerais demais - então minas gerais nome originário do veio da terra porquanto o que nomeia a terra diz da etnia e do povo da terra e dos andarilhos e arrivistas que vieram tomar o território aos indígenas com grandes bandeiras e espadachins cuja destreza leva a mão a escrever a história da vitória de Samotrácia - que a história é sempre do vencedor que a escreve sobre o pó e com o sangue dos mortos aos olhos vermelhos dos demônios a espichar o rabo até a cauda do fauno abarcando vida e morte o preto no branco o dia na noite o xadrez no tabuleiro Somente com os passar do pó dos séculos / depois que o tempo vira pó de madeira nativa / ( o tempo é a parte móvel do espaço ) / sai dos alfarrábios para os olhos dos sábios / desenhado com o dedo na poeira local da vida que foi alfa um dia cintilou em alfa do centauro para a vida que é agora quando o espaço empurrar um outro pedaço de espaço / que se desloca paulatinamente / formando o tempo ou o conceito do tempo ou a intuição do tempo conforme o tempo seja o temo real dado no mover do espaço ou o espaço filosófico de Kant-Shopenhauer que é um sentido interno no homem Dessa espécie de erosão espacial / que se passa na mente ou em natureza nasce o tempo / que é movimento de parte do espaço / movido a torque de algum motor / que se moveu primeiro / depois do motor originário / ( o motor de Aristóteles ) - motor, portanto, que se moveu segundo / ( e não primeiro, mas segundos antes / segundo os Evangelhos e os escritos no Tanakh e Corão / e em tudo que é santo e sábio livro ) / - motor movido a trilhões de anos após o movimento originário / cujo movimento ocorreu antes das estrelas / das cefeidas e anãs brancas / azuis amarelas vermelhas castanhas - antes da eclosão do universo / antes do segundo motor / escrito no espaço / descrito no tempo / - motor descritor lido prensado nos alfarrábios dos rabinos ( Ao ler o alfarrábios / os eruditos inteligentes provam apenas o sabor dos signos nos significados / enquanto eruditos simplórios se enterram sob sete palmos de signos mortos com os mortos despidos do contexto de alma e tumba ) Os sábios, entretanto, provam diferente do vulgo ignaro / parvo parcial parco e patético / pois detectam pelo gosto / a história em pó nos alfarrábios / (onde os mortos vivem em signos e micróbios conjuminados com ácaros traças carunchos... ) / e a relação que mantêm com a história escrita no alfarrábio lido / é tal qual como se fosse o ato de degustar a fruta do pequi / fresca e viva no sabor amarelo de outro ouro da vida / numa curva que alonga o amarelo das abelhas / - amarelo em mel e listas rajadas no abdômen / que prova o gosto originário da terra / em seu amarelecer para outono / transformando o sabor nativo da terra / em sapiência / gosto da terra / e do ser humano sobre a terra / na história que a terra escreve nas frutas / nas abelhas e nas flores / e no homem ali nativo / irmão dos vegetais e dos animais / filho da terra e d água que erodiu a terra / juntou o arenito e fez o ser humano / ao gosto da laranja da terra - o ser humano cuja história primeva foi escrita em seu corpo com geóglifos antes dos escribas por em sânscrito hebraico grego e latim - o homem em hieróglifos posteriormente em demóticos e por fim nas línguas alfabéticas - grego e latim que o homem moderno desde a história das línguas que narram e pensam as histórias dos homens das línguas alfabéticas está descrito e pensado e grego e latim ) / Sobre o flamboyant / ( "Delorix regia" no latim invulgar ) / flor-do-paraíso e pau-rosa / na voz corrente do vulgo / dispensada suposta malícia das brasas do pau-brasil / no pau-rosa que não evoca a rosa em cor e flor / nem a candura da acácia rubra / na cor da face em carmim da moça dente-de-leite / ou do varão no dente-de-leão / - erva daninha bravia pelos caminhos silvestres / aonde não anda pedestre ou quaisquer transeuntes / que não os silvícolas de antanho / tempos em flor para a palavra fulô / desabrochar o "logos" da flor ) / Sobre a mole do Edifício Flamboyant / a lua tal qual uma chapéu de palha pintado no amarelo da lua pia / adorna a cabeça do enorme prédio / como se fora o sorriso do gato de Alice / arrastada lá do País das Maravilhas / para o lugar onde a clareza dos montes é só metáfora / ou cuja toponímia é um exônimo para designar lugar em Portugal que em Portugal afiançam alguns existiam uns montes que designavam de claros - Montes Claros No mês quadriculado por quadrilhas de junho de Santo Antônio / onde abundam quadrilhas e fogueiras e fogos de artifício / e fogo-fátuos e bandeirolas a ataviar os espaços no tempo / de São João e São Pedro / que ainda andam mansos e santos na sua mansuetude / pelo meio do povo simplório em suas manifestações / - do povo das Minas Gerais / na santa terra prometida em filão de Minas Gerais / para onde peregrinou um arameu errante / que veio de longe e de antes / - muito antes que o tempo formasse o pó / que é o espaço de hoje do corpo / entre imaginários montes vislumbrados no horizonte ( ou seja, longe! de uma longura idílica como o amor romântico e o barco no rio com o pescador descendo pelos cachos dos cabelos da cachoeira cantante - cantarolante ) da terra abençoada com pequi no pequizeiro onde sobe o homem da poeira ao rés-do-chão para formar o corpo humano do nativo com a energia de fogo do sol que coze o homem e assim torna esse ser mera cerâmica industrializada pela natureza onde sobeja o pequi cozido com arroz - sápido e amarelo-pequi em nuance matiz por um triz! planta e fruta que dialoga com a língua anatômica e fisiológica sobre o gosto da terra e narra estórias vegetais e também diz do "logos" geológico da terra à sombra do vale entre as montanhas de Minas - minas sempre gerais pelos campos gerais / que miram a serra do espinhaço / e os arbustos floridos de roxo / na beleza plena do ipê roxo / que circula quedo e mudo / como se fosse uma baiana rodando a saia / na escola de samba / Acadêmicos do Salgueiro / estação Primeira de Mangueira / ou num Império Serrano com anum mais extenso que o romano / ao menos na parábola-palavra do aedo / sem medo de arremedo ou do anum negro que firma a casa da noite Subindo para os morrinhos / ao pé do morro / sonhando com o Santo Graal / vi a lua assomar com face amarela entre o Edifício Flamboyant e Deus / A lua interposta entre Deus e a mole do Edifício - vi-a na vida antes de codificar o ato de olhar palor de luar / em noite na qual pensava na mulher / que Joan Miró concebera numa obra de arte pictórica / Em uma noite em que pintara Joan Miró a mulher que amo! arrancada em raiz herbácea do surreal - aquela que somente vive em segredo e degredo de alma dentro de mim escondida do mundo arredia na ermida do rocio ou antes do orvalho fazer catedral templo para corpo humano onde os cavaleiros negros do apocalipse galopam mas não chegam nunca porque lá o espaço fica entre a lua falciforme negra e o espaço guardado pelo anjo do senhor - anjo de mau a pior de anjo a demônio cavalgando um corcel amarelo - cor do trigo da fome no Apocalipse / dos quatro cavaleiros andantes / arrostando moinhos de vento e moleiros moles / cuja armadura é a mole do edifício Flamboyant onde uma pá de moinho roda / pelo toque das mãos do vento / que move moinhos ( ventos são partes do espaço / que se quebraram do todo espacial / e se transformaram em porção móvel / - quinhão denominado de tempo / pois tempo é espaço móvel / ou parcela do espaço estagnado / que se partiu e se tornou espaço em movimento ) A lua que eu olhava era circular / ovalada ou elíptica como sói dizer o físico / para por o "logos" no jargão da física / que quantifica a luz na constante de Planck / ( Quão em quanta se mensurou o espectro da luz do corpo negro! / após a catástrofe do ultravioleta / naquele momento em tese! / não do momento, mas da tese / na equação literal pela borda da álgebra!... ) / Entrementes cismava eu com a mulher nada imaginária / ( e toda imaginação! ) furtada por uma água-furtada de autoria de Joan Miró / que do ( quedo?) quadro do artista célebre / fugisse amazona sobre um alazão ou égua abstrata para dentro da noite escura nada abstrata - noite acolhedora em trevas a vestir a mulher negra na noite / trajá-la com vestes talares nigérrimas / àquela deusa originária da água da placenta / que um dia ou em outra noite / desidratada cairá no pó da terra / como pó de terra / anjo decaído / ser humano morto / no retorno ao húmus / na volta ao ventre da terra / excetuada a mulher que Miró pintou / imortal na tela mental / protegido de bactérias carunhos e ácaros / pelo tempo que tem no abstrato / o anjo da guarda como relicário / depositário fiel dos tesouros da inteligência / encontradiços no museu do Ancião dos Dias / ( A vida goteja na decrepitude ) Pensava eu na mulher dentro da noite / quando olhei a lua a banhar de amarelo-sertão a mole do edifício / e a poesia aqui e ali plasmada nasceu em minha alma / naquele e neste momento ( nunca é neste o momento! - o tempo nunca é no tempo pois o presente é fugidio e tem mais tempo na lembrança do que no momento-minuto ou na hora do cuco sair alardeando no relógio suíço ) - momento ainda em idéia a caminhar caminheira na estrada - caminhão! a cavaleiro negro da mole do edifício / ( cavaleiro negro laçado no apocalipse! ) antes de vir parar à cova aqui cavada nestes versos mortos nesta escrita / ao descrever a mulher pintada pelo artista catalão / que a pôs em tese na tela / ( redundância no vernáculo para designar lugar ) / dentro da noite em obra pictórica / sobrando nas sombras da noite / nos meandros da alma / e fora do espírito que olha / a noite tingir o dia de trevas bastas / em cabeleiras compridas / ocultando a face feminina da noite / sob um véu negro de cabelos longos / - a mulher polifônica minha em poesia e de Joan Miró em tela escrita e desenhada pintada na surrealidade pela paleta do artista e os signos e símbolos do vate a cantarolar uma barcarola ou uma berceuse par um riacho rolar seixos e a criança amada pelo líquido do sangue que enlaça os mares do corpo humano ( Amor está na corrente sanguínea! ) Todavia eu ia encontrar-me com outra mulher / que nem era mulher ainda / porém apenas ( se isso tudo é apenas ou tão-somente ou uma nonada ) / - tão-só uma menina-moça de quatorze anos / tão só! - e tão só quanto a minha solidão máxime em Robinson Crusoé em solitude na ilha / que é o homem e a mulher em corpo humano e corpo de ilha respectivamente ( corpo de ilha é terra igual corpo de homem ) Ah! solidão e solitude!... similar à solidão e solitude que feria a menina dentro da qual havia um mar vermelho que corria para o amor - que amor é sangue está no sangue! - mar vivo contraposto ao mar morto à marmota e ao mármore no qual Micheângelo ou Rodin... ( Insulado é o corpo humano / fechado em si para a vida / Hermética ilha a vida em seu interior / ou seus inúmeros interiores físicos, químicos, eletromagnéticos, espirituais ... os quais trancam o castelo feudal com ponte levadiça abrindo a flor em racimo apenas ao espírito pensante à alma filosofante que doa amor ao rapsodo que recebe... ) Sob a perspectiva filosofante da obra de Joan Miró / naquela noite que eu imaginava ser uma mulher pintada pelo artista / ( e não uma noite propriamente dita ) / apenas minha filha andaria comigo / Ela estaria junto ao meu caminhar / na melhor parte do meu caminho sob lua / abaixo do luar balouçante / móvel lua similar a um gato sorridente / no escuro que faz tez da madrugada / No seio daquela noite pintada pelo palor do luar / que no novilúnio não é lívido / não é de uma lividez que vai ao amarelo macilento / pálido amarelo do vampiro inexistente / imagem tétrica da noite / representada como ser humano / conquanto morto-vivo / sem o sol regando a diva anterior aos cabelos louros da aurora semi-desperta / mas com a lua e as estrelas notâmbulas / caçando morcegos e corujas pelos coruchéus / sempre, entretanto, contíguo ao alvo que corre no leito ou álveo do leite / da terra que mana leite e mel de abelha amada no favo / com flor de laranjeira para o amplexo na barra da alva / favo engasgado e engastado em abelha / engaste da abelha-rainha / uma gema-viva e mais preciosa / que o tesouro do mel / - arroio suave originário do néctar da flor... Em perene canto de aboio - o arroio... descia a madrugada Andarilhos à sombra imensa da noite / sabíamos que somente minha filha teria genética / para me seguir por aqueles ínvios caminhos de peregrinos / dentre os quais ela buscaria comigo a mulher dentro da noite / não a mulher de Miró integral no corpo de trevas noturnas / mas apenas uma mecha do cabelo da mulher virtuosa / essa safira ou preciosa ametista / pérola negra esmeralda turquesa turmalina / porquanto a mulher virtuosa é um ser quase mitológico / se não fosse tão simples assim / como um unicórnio / ( o unicórnio alegre de Salvador Dali - unicórnio surreal, surrealista sustentado no universo surrealista do pensamento... - que pensa o sonho um jardim para o vegetal - o onírico vegetativo pensante no sistema nervoso que envia mensagens ao corpo humano e ao corpo do unicórnio surreal ou mitológico mítico... - mito que cavalga rito!... ) um ser no meio do existente / - meio existente no meio da vida / em meio ao meio ambiente / porém ser apenas na fauna do cérebro humano / e não ser existente na realidade natural / ( fora dos fatos naturais / presente e existente somente dentro do cérebro / e como símbolo da mente / que criou o unicórnio / como Deus criou o homem e a mulher / para além do meu cepticismo estúpido / que existe ao sabor do pensamento imaginativo do homem / dentro desse mundo interno ) / Enfim, uma mulher bíblica/ já quase inexistente ou em extinção / devido à ação predatória do homem / alienado em mídia ou empresa / ou outros monstros e ogros tais / da alienação do pensamento turvo / - torvo corvo estorvo / Pela mulher dentro do corpo da noite / em parábola de Joan Miró / - na alegoria do artista / a mulher que é a deusa / na pele da noite / noiva da consciência em tez negra / vencendo a foice com que a lua se transmuta / simbolizando o carrasco em forma de sociedade-foice / ( a lua desenha símbolo?!) / - derribando com a guilhotina / a cabeça da mulher virtuosa / mas deixando ainda vivo / por alguns minutos sexuais / minutos finais de atividade elétrica o corpo da fêmea / que é semelhante / não a Deus / ( às deusas gregas e romanas do antigo museu do surrealismo grego... ) porém aos animais no cio / para pasto de faunos e sátiros / de mundo irreais para a paixão / que odeio no cristão / não obstante amar no pagão / românticos surrealistas...: surreais românicos! A mulher em Joan Miró / pura poesia é / mas fora dele também / - é poesia mais vasta / ao se por no mundo / ao por seu ser feminino no mundo / aberto aos campos e prados vastos da filosofia / que pesca e pesa mentes dentro de cérebros / peixes em águas profundas / - pesados cavalos-marinhos sem cavaleiros ou amazonas a montar livres no seu vegetar e na sua pensante-vegetante filosofia do real ao surreal
Olhar a obra de Chagall é um desafio poético além de pictural - uma invasão à filosofia vegetal do artista pela decodificação do pensamento vegetativo do poeta plantado em jardim próprio - próprio Jardim do Éden e das Hespérides ambos silvestres dentro do corpo pensante do poeta plástico - corpo de fauno para não titubear na semiótica quando da leitura e posterior escritura dos geóglifos individuados em cada ser pelas circunstâncias naturais e o contexto historial do indivíduo que é tão único que não se pode buscar o homem morto nos rastos de seus filhos na aurora ou na noite tenebrosa porquanto os filhos possuem dele e postam dele no ser um pedaço desprezível e amuado daquele ser que na filha vira em muxoxo feminino pois na reencarnação possível na graça da escrita genética o karma é outro - outros atos e fatos fazem um ser que guarda do homem morto apenas o rasgar do espelho na água Observar a pintura do artista surreal é proceder a uma devassa no espírito do filósofo o qual tem o poder de minorar ou majorar a engenharia na vida porém não tem poder algum sobre a vida assente na planta da alma nem quaisquer recursos contra ou a favor dos ventos que sopram a alma para o interior da árvore da vida ( a árvore em ritmo de folhas e inflorescências dentro do corpo humano que é outrossim um corpo de fauno meio a meio em anatomia e fisiologia para homem e fauno - sopra de dentro do anjo que está dentro da forma arbustiva herbácea ou arbórea ventos para tocar o veleiro alegórico de Salvador Dali - que é salvador dali mas está sempre aqui - no coração do fauno o qual é a vida ou alma vegetal alma em vegetação ou Flora e na mixórdia do mito - rito bizantino responsável pela mescla massiva que faz o animal e o homem emergindo do corpo anatômico e fisiológico do animal desenhando a geometria no corpo metafórico do fauno nos projetos em debuxos e gravados que faz a poesia nascer na alma do poeta - e com a poesia se desenha o corpo humano anatômico e filosófico fisiológico e científico ( A poesia é uma clorofila em verde impregnada na alma do ser humano e uma pérgula com um anjo azul e outro anjo sorrindo surrealista na alma de Salvador Dali Ah! e a queda do anjo! com anjo feminil de Chagall em queda livre com todo o entorno tecendo as circunstâncias : - com um violino mudo sem mãos de violinista que o toque baqueta em cruz ( tudo desenhando um pré-violinista filho da álgebra árabe e da geometria grega duas filosofias para as artes ) violino cruzado-cristão! ou em cruz sobre o túmulo da música na estrada cristã pois a cruz é uma asa desajeitada que os incautos imaginam que tem a capacidade de voar além das águias e do falcão peregrino grudar céu no azul - no alto azul ) Sol amarelo vela pálida burro lívido mulher com criança ao colo Cristo crucificado transeuntes basbaques com a aldeia ao fundo casas tortas embriagadas em passo trôpego de ébrio que chega da noite pelo rasto alvo da manhã refletida no orvalho hialino e figuras negras se retorcendo nas trevas atrás do feminil anjo escarlate em túnica carmesim caindo da altura do céu - do céu da alma de Marc Chagall! poeta plástico ) Pairar com o olhar mergulhado sobre a obra de Chagall é um desafio estético e sapiencial não de mergulhão com o cérebro nadando no sangue do peixe ( mergulhão-de-alaotra ou grebe-de-alaotra mergulhão-de-touca... ) e procedendo a um périplo pelas Antilhas respirando água e terras ilhadas no mar do Caribe ou dos Caraíbas que foram extintos pelos arrivistas ) Por os pés dos olhos nos caminhos pictográficos de Chagall é uma invasão bárbara à gnoseologia do autor empreendida pelo pensamento vegetativo do poeta aberto ao espaço e tempo da vida - uma devassa na alma do artista que fica num enclave entre o vegetal e o sistema nervoso vegetativo que desvela o universo em poesia e a vida em glicose com uma simplicidade e de uma forma tão versátil com versos em hemistíquio e melodia em cacofonia para diatribe ( Alma é flora e fauno e não o avantesma cristão - velado abantesma! ) Admirar a obra de Chagall é observar o homem morto emaranhado em sua criação retratado nas suas invenções codificado na vida através de signos e símbolos que fabrica a linguagem poética e matemática ambas em lógicas diversas para cada sistema encefálico : o sistema nervoso central e o sistema nervoso autônomo dois modos de pensar sendo s sabedoria concernente ao sistema vegetal e o conhecimento ao sistema nervoso central que limita o ser humano à razão e sensibilidade ( sistema canhestro e anti-fauno ) O artista é irracional pleno do fauno quando grafa e pinta a poesia plástica em sua obra de arte submetida às normas de uma gramática que atravessa o imaginário - arraigado na raiz que bebe do pensamento em terra onde está a erva assente ( As ervas andarilhas são amazonas galopando na ventania à revelia da credulidade dos estultos porquanto são filósofas cínicas compêndios e enciclopédias vivas com o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático que pensa a alma dentro de uma arquitetura a qual realizam na estrutura de uma engenharia para ervas formas arbustivas lianas trepadeiras em pérgulas e outros agentes vegetais que sintetizam e mantêm a vida enquanto houver alma na atmosfera e não sobrarem apenas as bactérias anaeróbicas - as quais não respiram por alma ou não captam a alma nas camadas do ar As ervas peregrinas são cépticas no que tange ao Apocalipse e outros eventos-sonhos ou pesadelos que pesam nas pálpebras do homem que dorme - quase como o homem morto que será um dia ou noite sobre o dorso do negro corcel a galope desenfreado levado para nenhum apocalipse real porém apenas para um ritual em teatro - sempre religioso é o teatro a cantar o bode ou Pã ou outra encarnação mítica que a miragem do homem no deserto faz crer real ) Nietzsche transcreveu num racionalismo irracional sobre o que há de radical na tragédia pois a vida é trágica irracional e vegetal e pensa a alma pelo método vegetativo que é uma bifurcação do pensamento nas terras conquistadas pela floresta das amazonas - pela amazona que cavalga e apeia da lenda numa versão feminina de Alexandre Magno cavaleiro originário da "Magna Grécia" cuja onomástica não tem compromisso com a historiografia ou quaisquer outras ares de ciência sem licença poética O poeta é irracional no que põe o ser em hieróglifos sob forma de poesia ou vegetação interior - arraigada ao solo e aos símbolos nos geóglifos que dança a dança das três Graças de Canova na poesia Empunhando o clarinete bebe o pensamento da terra que Nietzsche transcreveu numa racionalização do irracional posto na solenidade dramática do ritual trágico pois a vida é tragédia irracional cantada em coro e vegetal em soro O vate pensa a alma pelo método vegetativo sendo o filósofo natural propagando a filosofia do sistema nervoso vegetativo esparso na inflação das ervas exércitos que tomam tudo de assalto - até a alma que é uma parte de erva no fauno ( O irracionalismo do filólogo e filósofo alemão tem um quê de vegetativo Aliás, é todo o pensamento vegetal profundo - um pensar vegetal ou vital a perambular pelo corpo do fauno na vida e na alma pagã - que é a vida em verde ) O artista é racional entretanto ao se utilizar do conhecimento erudito que é uma forma mitigada do pensamento vegetativo mais ancho e criativo - pensamento criador ( O criador está no núcleo deste pensamento arraigado nas ervas do sistema nervoso vegetativo ou autônomo que cuida de manter a alma viva e pensante na criança com a primavera no corpo no jovem na intersecção com o fauno a flora ninfas nereidas Afrodite Calipígia Vênus de Milo... No que tange a lira lírica concernente ao adulto e ao velho com a devastação do inverno e o advento do outono amarelo - amarelo cavalo do Apocalipse da amazona com inflorescências amarelas em clarim e trombeta ressequidas floradas no fim do lilás do saxofone em fim de improviso musical a soprar anjos que caem no tombar das folhas decíduas de planta caducifólia... ) Ler a obra de um artista é um trabalho ingente porquanto demanda uma leitura bifurcada que se estende da leitura viva do leitor à leitura morta do poeta que levou consigo todo um tempo irrecuperável debaixo do rosto de hera e lodo que a chuva trouxe e semeou ao pé do jazigo triste - de uma melancolia inenarrável em cada gesto dos operários que o erigiu ou nas palavras piando desamparadas na lapide - palavras perdidas que lembram uma ave perdida de sua mãe a piar desesperadamente - o inútil pio do pio ser ( do Pio Papa! ) desenhado por toda a parte sempre na forma da "Piedade" expressa por Micheangelo Buonarotti que vaticina toda a dor da vida com Maria Pia pranteando o homem morto no filho morto - morto em Cristo! ...para a morte eterna Chagall apenas se lê e se torna surreal no canto do galo quando a alma vem em olhos de quem lê - de quem abre os olhos dos signos e símbolos na manhã álacre com o passo no pássaro que canta todo o candor impresso na barra da alva ou na flor de laranjeira flutuantes na alma vegetal das noivas do pintor ( Alma é sempre vegetal - glicosídeo que sustem a vida em sintonia fina com o significado em latim ) O pintor da aldeia russa executou muitos poemas plásticos com um violino de violinista azul para acessar o que é celeste em Paganini ou Mendelssohn e outro violino de violista verde pastoreando rebanhos de ervas com o vento em suas pastorais em silêncio áureo - na calada da noite severa onde se enredou a tragédia do homem morto no silêncio do respirar dos violinos - interlúdio ( Um Stradivarius e um Amati de Cremona ) Chagall é o homem morto o não-ser universal do homem que vem do escuro ao lume e vai de volta da luz ao mar de trevas noturnas aonde não estava nem era antes de nascer usufruir do natal e da curta vida de caramujo com toda a gravidade de Atlas às costas na costa do Atlântico ou do Pacífico oceano - mar oceano O homem morto eu conheço ou reconheci na máscara mortuária de meu pai na mortalha de alguns amigos em peregrinação ao Hades descendo ao Seol Todavia a mulher morta não conheci senão uma : - minha avó! Ela é a Ofélia de Hamlet pintada por Shakespeare nos quadros com noivas de Chagall - noivas da vida e da morte consoante esteja a flor de laranjeira com alma de perfume desde a barra da alva fechando os olhos belos e jovens da noiva com o orgasmo nupcial após o coito subsequente ao matrimônio na aldeia russa ou então os olhos vidrados a contemplar a escuridão inicial e final na solidão do espasmo da morte - dançando com um miosótis!... O homem morto - a mulher morta nesta ladainha social é mais presente e atuante intelectualmente ou espiritualmente se o veículo for a religião do que o homem vivo - nós que estamos "por aqui!" ( imagine o gesto sugerindo cortar o pescoço ou se preferir a cabeça dada ao carrasco ) ainda andando em pré-morte empós o pré-natal subjugados aos vivos capitães aos respectivos cônjuges que se agriolham mutuamente ( casamento putativo! ) e até aos mortos com fundo fóssil são outros tantos capitães ou capelães - para cobrir a cabeça e não ousar descobrir nunca O mundo vive do medo que inculcam ao indivíduo e o indivíduo é o mundo - o universo preclaro-estelar e tudo o mais que salta aos olhos e cabe ouvidos adentro - tudo que escuta ao percurtir nos ossos do martelo e da bigorna do ferreiro em oficina no ouvido interno que temos e somos Vulcanos auditivos - e tudo o mais que avança e toma de assalto o cosmos e a cosmologia a cosmética e a cosmogonia com a legião de captores de cheiros à frente armada em infantaria no cavalete de cartilagem do nariz ( as narinas a resfolegar qual corcel bravio na batalha do apocalipse a abrir a flor em fragrâncias em Guerras Púnicas ) - a tez que cobre o frio em corpo ( encorpado xarope com uva para o tinto das coisas invisíveis de outro modo - tirantes ao insensível que viaja vago no espectro mas não nos olhos em viés geométrico não-euclidiano ) e experiencia a tepidez da manhã anã amarela tímida ao ser suspensa no azul e cuja experiência experiencia ela própria useira e vezeira da doutrina do empirismo e no ato de auto-experenciar ) que ronda o espírito humano Tudo e todos é o indivíduo e não existe mais nada excepto a nadidade dada pelo indivíduo posta ou postada pelo indivíduo único ser e ente ser solitário no mundo entre entes - é um solipsismo de eremita condenado a uma solidão insulado na ilha que é Robinson Crusoé em melancolia perene Tudo o que está na existência é o indivíduo - inúmeros deles isolados em si presos à ilha de dentro pois há miríades de indivíduos! - e o sentido da gustação é a ciência que demonstra num teorema de gastronomia que tão-somente existe o indivíduo de onde parte tudo e nasce o mundo social e o universo até o dia da morte de qualquer um dos indivíduos - cada um prova o seu bocado isoladamente insulado no arquipélago do sabor individual que é incomunicável
O homem morto
é aquele que só tem vida para trás
- não para a frente
( Vida pretérita não é vida
apenas alegoria de vida
metáfora para a alma morta
sem clorofila e outros glicosídeos
industrializados pelo violinista verde
a um tempo um boticário
e um hábil farmacêutica
dono de uma farmácia de manipulação
- um herborista enfim
herbolário ervanista )
O morto desquita-se da vida
que é o vegetal no ser humano
o qual faz a flora e o fauno
funções do corpo anatômico e fisiológico do fauno
olvidado nos compêndios de medicina e biologia
ou antropologia forense
Possui apenas memória de vida
na alma do retrato
- ponte de luz e sombra
dispersa no tabuleiro de xadrez
com o pé escuro da noite
e o pé claro do dia
a pisar as casas no tabuleiro
- relojoeiro
joeiro a joeirar
Ser de vida pregressa
sua vida é iconográfica
geometria de alma escapista
também verbal
de papel manchado de signos
desenhos em nanquim
- longe do vegetal
do verde vitalício
excepto até onde for pintar as bactérias
sua obra surreal por mãos de Joan Miró
e outros seres verdes naturais
atentos nos miosótis
teimando não serem esquecidos
( "Não-te-esqueças-de-mim"
é a letra da canção lendária
que geme o pobre miosótis
já planta a medrar no Jardim do Éden
primitivo corpo vegetativo do homem
- definido na onomástica como Adão
o Adão onomástico )
Não vegeta sobre o solo
( para clarinete violino terra fresca
com cheiro forte de raiz de erva daninha viçosa )
não mais é vegetativo
- o sinal é negativo para o vegetativo
e não passeia os cabelos crespos pelas ervas
com o pente da brisa fagueira
penteando folhas defraudadas ao vento
qual bandeiras de navios piratas
com bandeira negra hasteada
no navio do capitão Barba-Roxa
ou de algum corsário ou flibusteiro
piratas do Caribe
do mar do Caribe
o mar dos Caraíbas
- autóctones aborígenes indígenas
em pé de guerra contra os alienígenas
O sistema nervoso vegetativo
ao cessar o fluxo vital
o qual fui na água
- rio em cachoeira no sangue
procede à falência dos nervos e órgãos
( Pára os Órgãos dos organistas Buxtehude e Bach )
ao perder o vegetativo verde
na parada ou quietude incômoda da água
que não mais flui ("fluminense") em longo e doce riacho
- fluído indo para baixo
aonde o mar brame e espuma
( sem altitude na ""baixada"" dos Países Baixos )
O simpático e automático ( autônomo ) sistema nervoso
cuja função precípua é alimentar um berço de mar oceano
com uma berceuse composta por Debussy
pensa e nutre os demais sistemas
- pensa a vida
e sabe da alma
e do corpo humano
uma mescla de espaço preenche de matéria
e tempo dinâmico ou energético
- Entretanto o homem morto
que ficou deitado em cruz pelo caminho
é um objeto que perdeu a planta
e a semente angiosperma ou gimnosperma
espargiu pelos caminhos verdejantes ou ressequidos
O homem morto
não partilha do pistilo da flor campestre
portando não está presente na rede vital
que é vegetal nos primeiros passos invisíveis
de uma forma arbustiva a medrar
ou um tronco de árvore a se entortar
no frenesi por raios do sol
porquanto alma é verde
derreia-se pelo verde
- verde clorofilado
afinado pelo violinista verde
e o azul no céu
tocando uma berceuse cerúlea
antes que se proceda à calefação das trevas
e venha célebre montada num alazão
a amazona cuja missão é anunciar de anjo e trombeta
o apocalipse feminino que se avizinha
na ponta dos cascos com ferradura
batendo em ritmo o tambor do solo
( ou solo de tambor
no ritmar das patas do cavalo bravio relinchando pavorosamente
enfatizando que as bestas são convocadas
para porfiar ferozmente e até a morte
na guerra do Armagedom )
solerte e paradoxalmente entregue à própria sorte
e aos sortilégios das feiticeiras
- tudo antes que seja meia-noite
e surja o anjo exterminador
empunhando a espada justiceira
e o exército dos demônios
em legiões romanas
sustente a batalha até a alva
desmaiar no céu
que antes era treva
e boca de treva
a devorar cor
de anã vermelha
Sem sistema nervoso vegetativo
simpático e parassinpático
- carente desses sistemas de pensar a vida
construir arquitetar e manter a vida
hermética na alma
assim o homem morto
não pode mais pensar verde
pensar vegetal ou vegetativamente
refletir e defletir o verde na alma
pintada dentro de um verde invisível
com tinta pra semblante de taitiana
que Gauguim não pintou legível em espectro
não deixou pensada e relatada
mas apenas em nuances de cores do verde
extraído do ciclo vegetativo
que engendra a vida
e a engenharia da alma
( A engenharia da alma é mecânica
move-se no sentido vetor do latim
e na força em aceleração de Newton
o filósofo natural junto à Darwin
que também pensou a vida em natureza )
O homem morto
dependura-se no verbo e no retrato
porquanto sua vida é um artefato
sem alma na concha
- concha acústica
aonde se pensa foi parar o som do mar
no vento rascante
O morto é visível em seu tempo
apenas cercado pelos objetos do seu tempo
que mantém seu corpo metafórico ou em holograma
na jaula da iconografia ou da hagiografia
através dos móveis e utensílios circundantes
circunstanciais
que fazem o tempo
com mãos de carpinteiros e contabilistas
cercando-o de objetos e artefatos
os quais o daguerrótipo flagrou
como resquícios e relíquias no corpo do tempo
quando vivo o homem
a mirar do fundo do retrato
a cantar no fonógrafo
quedo no museu do som
sem as cordas das ondas senoidais ou vocais
registrando a voz guardada no relicário
- dentro do ouvido interno
que escuta o que alguém já ouviu
quando estava com o corpo imerso no tempo
- banhado pela água do tempo
que lhe dava alma
pingando vida na chuva
( O fonógrafo é um ouvinte do tempo
que capta a frequência do homem morto
canta e ouve com ele
junto ao ouvido de quem continua vivo
porquanto o fonógrafo é um ouvido externo
que promove a intersecção entre vivos e mortos
- artefato que guarda o tempo incólume
na Baía de Baffin
no Golfo de Carpentária
ou no mar Cantábrico )
Aquele que pereceu
é um ente inexistente
enterrado no ser
- com alma arraigado no ser
porém não alma natural
mas alma artificial
plantada no discurso
que recolhe e doa essências
onde não mais há existência
do ente fenomênico
que partiu o coração das cinzas
no charuto e no cachimbo
que faz o vento fumar
no evolar e enrolar da fumaça
em volutas espiraladas
que denuncia os caminhos
e a dança ou balé do ar
um bailarino com corpo de vento
O homem morto
Ah! o homem morto!... :
Este ser não mais existencial
teve a vida dissecada por conceitos
concepções filosóficas sobre essências
pois o morto é apenas um corpo sem porto de alma
sem visita de fantasmas
sem existência
sem prática do existencialismo humanista e ateu ou agnóstico
que caracteriza o sábio incréu
pois o filósofo sempre é céptico
diferentemente do parvo
sempre crédulo
e pronto para mudar de crença
conforme a política filosófica instante
no momento vento que passa
pelo om do coqueiro
e do coco que cai
no solo para coco
sopro e instrumentos de cordas no vento
- o vento é templo para música
A morte é uma realidade trágica
para dois poemas
- um poema trágico
ou canto do bode
que pode ser de Pã e dos sátiros
- enfim o canto não do cisne
a celebrar a morte
mas do fauno a afirmar a vida
e conceituar a alma em latim
porém não em significado cristão
mas sim em sentido de latim pagão de Roma imperial
sob césares tenazes e corruptos
Por fim o outro poema é o cômico
uma ópera para rompante de bufão italiano
- ópera bufa
originária da comédia da arte
e da comédia e sátira grega
com Luciano de Samosata no frontispício
e outra obra que traduz a ironia que perpassa o pensar grego
fluindo do racional ao irracional
desequilibrando Shopenhauer e Nietzsche
em tempo desagregado
do homem gregário
face ao morto solitário
ou em solitude corporal
A natureza em flor para o homem vivo
é o paraíso com serpente peçonhenta
- flora e fauna
no imaginário incapaz de ler símbolos
enroscados dentro dos signos
que os gregos tinham ao evocar o deus Pan
o grande sátiro
o bode meio homem
o fauno romano
- enfim um ser divino
porque ente natural ou silvestre
e social no culto religioso
que é o rito da tragédia
- um canto para um deus
ou para vários deuses
pois é a natureza em pelo eriçado de luxúria
que subjaz em inúmeras divindades
- subjacentes divindades
floradas no fauno
Hoje atua a superstição ingênua e totalitária da ciência conceptual
que não sabe ler o fauno
nem tampouco reconhece
a anatomia e fisiologia do fauno
antes a ignoram
por preguiça de desvelar o código subjacente
que assinala a semiologia do fauno
Inspirados e ancorados na obsessão cristã
sobre a monogamia
apresentam e cultuam tão-somente o corpo da deusa
ou corpo de mulher
que ficou sem a companhia de um deus no panteão natural
( e sem sexo consequentemente!
ou com sexo para boneca inflável...:
no uso sagrado da camisinha-de-Vênus )
quando surgiu os conceitos e onomástica para flora e fauna
vegetação e animal
em menoscabo ao princípio fundamental
de macho e fêmea
princípio da gênesis
e da razão suficiente nos filósofos
( eleatas estóicos cínicos idealistas realistas materialistas
pragmáticos ... de filosofia maior ou menor
consoante a necessidade contextual
que veste e reveste a alma
no que urge o tempo
sem mugir nem tugir evidentemente )
A realidade greco-romana
expressa em mitologia
( antiga ciência com poesia
ou ciência com alma
ciência viva
ou ainda filosofia
do filósofo natural à la Darwin ou Newton
ou da filosofia maior de Aristóteles
cujo objeto de estudo é a física ou natureza do fauno
e a metafísica ou pensamento humano
expressão que o compilador do filósofo cunhou
ao sair da física do estagirita
e o pensar do fauno sob o sistema nervoso vegetativo
através das artes poéticas e plásticas
e também da geometria
ciência que mensura o objeto metafísico ou apriorístico )
O estudo do animal enquanto fauno
do corpo do animal sob o corpo metafísico do mito
sendo a mitologia a metafísica primeva dos antigos
um corpo de estudos para pensar o que não é física ou natureza
consoante o "deus" ou a "deusa" seja da mitologia grega ou romana
Afrodite ou Vênus
Esta avoenga anatomia do corpo humano
ao mesmo tempo exprime o vegetal
presente no macho e na fêmea
porquanto é o vegetal o primeiro animal
ou animal lento
de gestos em outro ritmo dentro do tempo
gesticulando em outro espaço para olhar
e o animal
que é o vegetal lépido
livre da raiz
que o prendia ao solo
( A anatomia e fisiologia do fauno e da flora
pode ser estudado dentro do corpo humano
na semente ou sêmen do macho
que é o fauno romano
da indústria extrativista do mito
e no ovo da vida
objeto vital
que expressa o animal o vegetal
no animal fêmea
enquanto flora
na forma poética
e delicadamente poliforme da deusa Flora
ou energia quântica
consoante o violino empunhado pelo homem no tempo inventado
aventado para evento de vento nas narinas sopradas pelo oboé
arcano musical
no coro das Musas com o violino )
Hoje se despreza o fauno
ou forma zoomorfa do ser humano
ou os debuxos da idéia antropomorfa da divindade
presente no homem e na mulher
pela operação da mitologia
nas formas do fauno e da flora
em atenção ao princípio fundamental de macho e fêmea
na dança da natureza
que une fauno e flora
no amor sexual do homem e da mulher
primitivamente uma paixão
expressa na vontade do macho e da fêmea
que buscam se realizar no sexo
e neste dar à luz outro ser
Não obstante o bom senso
prevalece o contra senso
tamanha e tacanha a estupidez científica
transliterada para a onomástica
porquanto não mais o Fauno exprime a natureza do animal
no corpo anatômico e fisiológico do homem
bem como o vegetal
que é onipresença na folhas que circunda a cabeça do fauno
e a cornucópia à mão
pois a demência cristã
que tudo invadiu e perturbou gravemente
enfim, o imaginário sem tato para a arte e a natureza
na ciência cristã
apenas passeia pelo conceito de flora
a deusa da vegetação
ou diva vegetal
ou divindade presente na realidade pelo sistema nervoso vegetativo
que tudo cria e cura
graças ao poder inenarrável da criança miraculosa
( Todo o poder da criança
é o poder de Deus transliterado )
Todavia e contra toda perspectiva filosofante
hoje sob a ciência subserviente ao cristianismo
sobrevive apenas como objeto mental
a duplicação estéril e espúria do feminino
a ignorar a fertilidade
e a necessidade de paixão sexual
do mundo vegetal que está imerso nas matas do sistema nervoso simpático
parassimpático ou autônomo
com piloto natural e automático
autônomo piloto
que guia o sexo do homem
ao sexo da mulher
no princípio que move o universo
com flora e fauno
- e não flora e fauna
( não flora e fauna!
duas expressões para a feminilidade!
- uma aberração do pensamento )
excepto se a opção sexual se orientar no sentido da Ilha de Lesbos
onde se deu a poesia de Safo
que canta o amor entre mulheres
ou do homossexualismo na Grécia e em Roma
O homem morto perdeu a alma
ou teve sua alma retirada pelas narinas
e colocada numa ânfora
e junto à alma retirada cirurgicamente
veio tudo o mais para o exterior
ficando dentro apenas uma disfunção
em mefítica podridão
sob os bálsamos da múmia
Perdida a alma
que é a vida ligando tudo
colando o pó do barro
ou os cacos da ânfora ou o alabastro despedaçado
buscou a idéia
outra forma de alma
que não obstante a forma
não tem conteúdo de alma
não possui vida nem morte
existe e não existe simultaneamente
porquanto é uma mera concepção humana
um pensamento se procurando
no ser que cria o homem vivo
com a alma enterrada no barro do corpo humano
Enquanto idéia
o homem morto é tão-somente
a expressão da idéia em si
fechada em seu circuito ou diagrama esquemático
sendo uma idéia efetivamente algo universal
a simbolizar o homem universal
o qual de fato não existe
uma vez que tal homem
é todo homem ou todos os homens
ou todo homem enquanto indivíduo
separadamente ou insulado do contexto
o que não precede à existência
mas sobrevive apenas em essência lógica
escrita e apta para existir enquanto história
( glifos e hieroglifos e geoglifos nos genes
ou signos genéticos vivos
que se escrevem a si
escritores, auto-escribas que são do corpo humano
cuja arte passa de pai para filho nesta guilda )
e portando ao representar ao idéia de todos os homens
e joeirá-la individualmente
concomitantemente não resta na conta nenhum homem
apenas uma concepção
de que se ocupa a razão
um conceito desenhado
na fina geometria árabe da álgebra
que descansa em belos arabescos
e cálculos tão abstratos
que não são nada
ou então é zero ou menos zero
e também tudo e infinito
simultaneamente e no mesmo espaço
Por fim o homem morto
traz à baila
desde os primórdios
do primeiro morto
a deitar irremediavelmente por solo
a expressão que ficou na lenda do miosótis
a qual exprime uma eufêmia primeva e milenar
a sussurrar `a boca do moribundo
ou do amante preterido
que súplice implora pateticamente
para não se esquecerem dele
quando se perder no azul miosótis do céu
- um mausoléu acima
da cova rasa
a brincar com as ervas daninhas dos baixios
aonde descerá seu corpo
já sem anatomia e fisiologia de fauno
nem guirlanda para a noiva
( uma idéia poética para sexo
casamento reprodução desejo luxúria
e outros demônios de Fussli
que assustam o pobre menino cristão
no quarto escuro ou assombrado!
- sempre Íncubos e Súcubos
na pornografia da Inquisição espanhola!
pois somente assim se justificava
bater o martelo para condenar inocente bruxas
que nem eram bruxas
mas meros conceitos de bruxas )
Por fim e para por fim
- o homem morto
não ressuscita mais
mesmo que fosse cristão
daqueles mártires no Coliseu
servindo de entretenimento a Nero
os nobres e o povo de Roma
( Eles só ressuscitaram na realidade do latim cristão
que cultuava uma alma sobenaturalista )
Nem o latim de Roma
o latim oficial dos eruditos romanos
escrito e falado por Júlio César e Cícero
Ovídio Lucrécio Horácio e Virgílio Romano
que poderia ressuscitar
- de fato não o pode de fato
( "poderia" é verbo indicativo no tempo e modo de inexistência
ou impossibilidade fáctica de existência
apenas possibilidade teórica
ou no ser que o homem fabrica
como o conjunto das coisas
com os objetos e fenômenos naturais
e artificiais no homem
em seus sentidos e significados )
pois conquanto seja o latim
uma língua morta
- apenas um outro homem morto
ou uma mulher morta
sendo língua ou conjunto de signos e símbolos
reunidos pela mente humana
que as arrebanhou dentre os artefatos culturais
- sendo portanto o latim apenas uma língua morta
o que equivale a dizer : um ser humano em signos e símbolos
um ser humano tecnológico
um ser humano alienado no artefato que inventou
não obstante esse fato inconteste
- o latim não tem mais contexto
para ressuscitar enquanto língua
porquanto não está mais na teia da vida
na teia tecida pelos poemas alcançados pela língua
não tem como ressuscitar a aranha
ou a vida simbolizada no aracnídeo "tecelão"
apto a tecer uma teia pontificial
que seja ponte ou liame
entre a alma morta na antiguidade clássica
e a alma vital presente no mundo contemporâneo
alma coeva
Tal tarefa é impossível
mesmo sendo o latim
tão-somente uma língua morta
nada mais que um homem morto em signos e símbolos
com a cruz cristã
cruzando as pernas irônicas
sobre a pedra tumular
à beira da estrada
Do exposto pode se concluir
que nem mesmo uma língua
que é apenas um trapo de homem feito de signos e símbolos
não sendo um ser vivo
não trazendo u fauno dentro de si
pode ( não pode!) ressuscitar dos mortos
e voltar a estar entre os vivos
- imagine um homem
- o homem morto
voltar à vida
arrastar a alma que se perdeu no ar
de volta à inspiração das narinas ansiosas
ou sair da hóstia
tal qual um pintainho do ovo
retomando caminho a pé descalço
neste mundo hostil
com hostes de bárbaros
e hóstias de padres da igreja
a gemer "amém"
na eufêmia infinda
que prosta o homem
semelhante a uma fêmea no coito...
exercendo o santo ofício
ou o sagrado ofício da prostituição
antigo rito de purificação e sacrifício